Acabei de ver um filme que eu já queria assistir há tempos, mas nunca me esforcei. Sei lá, embora parecesse legal, tinha cara de ser “Geração MTV” demais para mim. I’m sorry, mas essa não é minha geração!! Enfim, insônia + TV a cabo podem trazer surpresas, e essa foi uma.
“Escritores da Liberdade” é uma daquelas velhas e batidas histórias de alunos-da-periferia-rejeitados-por-todos que encontram nova-professora-cheia-de-esperanças-que-os-escuta-e-respeita. Qualquer um lembra de cinco filmes com o mesmo tema. Mas comecei a achar interessante quando rolou o paralelo entre os problemas racistas e sociais vividos por aqueles meninos, com fatos históricos como o Holocausto ou a própria segregação americana (dois fatos assustadoramente recentes). Apareceram no filme jovens com todos os tipos de problemas, que ali descobriram que podiam ser “heróis de verdade”. A tal professora acreditava neles, ao contrário do resto da escola, e passou confiança para eles, transformando pessoas sem perspectiva em cidadãos.
Blá-blá-blá, eu caio em todas, e lógico que caí nessa também. Tenho certeza que educação é a mais forte base de uma sociedade. E como o filme falava disso, foi fácil me ver envolvida. Mesmo assim, continuei pensando: “Rá, rá!! Té parece que, sei lá, vinte pessoas realmente fariam isso. Só em filme mesmo, fato que rolou uma exagerada.” Bem, Rá! para mim!! No fim do filme descobri que é história real. E que uma pessoa realmente mudou a vida de gente (muito) fudida, e que a partir disso foi fundada uma organização que atua em todo o EUA.
Agora me vi, de novo, pensando em questões que me fascinam e assustam ao mesmo tempo.
Como eu já disse: acredito que educação e informação são os maiores trunfos de uma sociedade, e que a levam ao crescimento, melhora social, enfim, tudo aquilo que todos sabem que o Brasil precisa. E sempre tive vontade de, de alguma maneira, fazer parte disso.
Mas como???
Os problemas aqui são diferentes, vêm de muito cedo. Não são apenas jovens que entram para o crime aos 15 ou 16 anos. São crianças armadas, que com seis ou sete anos já sabem que provavelmente não irão chegar muito longe. Elas vêem isso em casa, no lugar onde moram, e em todos os olhares que recebem.
Como então levar essas crianças para a escola, e ali lhes dar alguma perspectiva? Tendo uma noção da realidade, como me convencer que isso pode ir além da teoria?
Claro, vemos alguns muitos programas sociais atuantes. Mas que envolvem, principalmente, música e esportes. Bom, muito bom, claro!! Mas quantos têm foco realmente no estudo, no aprendizado? E aqueles que não são atletas ou artistas, como ficam??
O filme mostrou a possibilidade de dar esperança, através de outras histórias tão reais quanto as deles, que mesmo em outro lugar e outra época, têm muito a ensinar, principalmente sobre luta e dignidade. E a história e a literatura estão cheias de outros exemplos. Além disso, temos o cinema e a internet, que oferecem uma quantidade sem fim de possibilidades, colocam o mundo ali pertinho. E o que vemos no mundo, pode ser facilmente aplicado no que vemos ali na esquina.
Mas é preciso, antes de tudo, ter quem queira ouvir. É preciso acreditar, e é preciso sair da teoria e ir para a prática.
Teoria x Prática, aliás, é a parte que me assusta. Se agora jogo todo esse papinho mega manjado (ou alguém viu novidade aqui??), amanhã, andando na rua, vou desviar de qualquer pessoa “suspeita” que apareça no caminho. E pode ser a mesma pessoa que eu tô falando aqui que precisa de respeito. Aliás, provavelmente será. Mas e aí? A noção de segurança nos diz para agir assim. Como ilustrou a melhor amiga: “quando eu parei de desviar, fui assaltada”.
E daí vai o círculo vicioso: o medo, que leva ao preconceito, que leva à falta de oportunidade, que leva à revolta, que leva para o crime, que leva à insegurança e daí de volta ao medo.
Onde que deve entrar o primeiro passo? De onde começar? Como fazer a tal da educação ser prioridade (de quem recebe e de quem oferece)?
Rá, de novo me encho de perguntas e não faço idéia de onde procurar. De novo, nas palavras da Paty: “te conheço há mais de quatro anos, e você sempre teve essas coisas na cabeça...” Pois é, morro de medo da hipocrisia que vem com esse papo todo, do discurso ser ainda mais vazio. Em quatro anos, o que eu fiz?
Nada. E quando vou começar?? ...
Desânimos a parte, não deixo de acreditar que é possível siiimmmm ser diferente. É aos poucos, é trabalhando com a infância, leva tempo, mas é possível... Mostra para a criança as possibilidades. Faz ela gostar de estudar, de ir para a escola. Faz ela querer aprender, ficar na escola. Mostra pessoas de verdade, que são os verdadeiros heróis, de carne e osso, como elas, e assim elas verão que ser herói não é andar armado.
Valoriza cada conquista, escuta seus sonhos, suas vontades, respeita os erros, ajuda a melhorar. Leva a família para a escola, já que educação tem que partir de casa. Mostra a importância do bom lazer. Apresenta a cultura como uma forma de lazer, também. Cinema é caro? Então leva os filmes até elas. Ensina o prazer da leitura, e como elas podem ir longe com os livros... E muita, mas muita conversa. Todo mundo quer se sentir importante...
Quem sabe aos poucos a gente não chega lá?
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Um comentário:
Voltei a reclamar aleatoriamente...
Comentei tanto esse assunto com vc pessoalmente que até esqueci de escrever aqui né? Bem, já resolveu o que fazer a respeito?
Muaah
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