Terminei o colégio com 16 anos. Então, fiz vestibular com essa idade. O último campo que eu preenchi foi a escolha do curso. Eu queria cinema, mas só tinha na UFF e eu fiz prova para a UERJ e UFRJ também. Na hora de enviar a inscrição, escolhi História-Licenciatura.
Cara, eu tinha 16 anos, não estudava porra nenhuma, e nas aulas extras para o vestibular eu achava mais jogo ir para a praia (porque com 16 anos, eu gostava de praia), do que perder mais tempo na minha (extinta, juro!!) escola. Eu, minha família e meus professores sabíamos que era impossível eu passar. Principalmente minha mãe, que antes mesmo de eu fazer as provas, já me falava para ir procurando curso para o ano seguinte. Hein?!?!
Sabe-se lá como, passei. E com dezessete anos me vi matriculada em História, na UFRJ, melhor ainda, no IFCS. Como só começaria as aulas em agosto, tive alguns meses para me convencer que eu gostava da idéia, que ia ser professora em escola pública, formar cabeças jovens e, consequentemente, o futuro do Brasil. (pausa para risos alheios... super mereço!)
E lá vou eu para o IFCS. No primeiro dia de aula vi 7 pessoas chamando umas as outras de "Companheiro". Sim, COMPANHEIRO!!! Me perguntei se eles vieram diretamente da RDA. Nesse mesmo dia, fui chamada para entrar em 3 partidos políticos diferentes. Rá!! Honey, super quero um mundo melhor, mas não vou fazer isso em uma sala pequena, obscura e com o ventilador de teto quebrado, com "companheiros" gritando "Abaixo o McDonalds". Hum... não!! E aos 17 anos eu já sabia disso. Diplomacia de primeiro dia em lugar novo, falei que pensaria no assunto.
Na mesma semana, já vi que a onda política era mais papo de bar do que outra coisa. Alguns de meus coleguinhas achavam que sentar no Araponga (nome do pé-sujo do povo de história. Saca o banheiro de Trainspotting?? Pois é...) e falar mal do "povinho da PUC" era mega-revolucionário. Aquela velha discussão CAPITALISMO x SOCIALISMO?? Hum.. tava mais para maconheiros-que-fingiam-não-ter-grana (IFCS) x maconheiros-que-têm-dinheiro-sim-e-daí? (PUC).
Felizmente, logo me aproximei daqueles que seriam meus amigos por todo o tempo que fiquei lá. Falávamos de coisas normais, tipo filmes, músicas, futebol, casos... E quando chegava na política, me agradava ver que, embora muito inteligentes, ninguém ali se achava discípulo de Marx. Aliás, sódisacanági, falávamos que o cara era meio mala e viajava demais... Saímos vivos, não sei como.
Sobre as aulas?? Confesso que não fui exatamente assídua, lembro de muito pouca coisa. Mas aprendi que os pombos foram trazidos pelos europeus (por falar em idéia de merda...), que a Av. Rio Branco foi construída, propositalmente, com alguns metros a mais do que a avenida principal de Buenos Aires, na época (sim, é briga antiga), e mais algumas coisinhas inúteis, mas que são divertidas de lembrar nos momentos oportunos. Ok, de vez em quando vejo que sei algumas coisas que aprendi nessas aulas, mas só sobre as áreas da história que já me interessavam. E mesmo assim me assusto quando lembro que sei dessas coisas.
Bem 3 anos ou 6 períodos e pouquíssimas matérias cursadas depois, aceitei o óbvio: não tinha como eu continuar ali. Teria mais alguns períodos antes de terminar, não queria viver daquilo para o resto da vida, e história seria um lindo e agradável hobbie. Também desisti do cinema e fui para jornalismo, onde estou até hoje.
"Mas você largou UFRJ para ir para faculdade particulaaarrr?"
Queridos, nem minha mãe aceitou isso direito até hoje, 4 anos depois ("Essa é minha filha. Ela fazia história na UFRJ - pausa dramática - não faz mais"). O cara que me atendeu no consulado, quando fui tirar visto, me fez essa mesma pergunta (beleza, larguei uma faculdade e fui para outra com "menos nome", mas isso faz de mim uma possível ameaça aos EUA??? Continuo achando que não, e que isso não era na conta dele, mas, enfim...). Em todas as entrevistas para estágio/emprego que fiz, me perguntaram a mesma coisa.
Há pouco tempo encontrei uma prima que mora em Brasília, essa sim, quase uma historiadora, e muito realizada. O namorado dela a perguntou (tchanãm!! adivinhem!!) porque eu larguei história. Ela, com toda autoriadade de causa, respondeu: "Porque história é, em sua maioria, muito chato. E porque 98% dos historiadores são malas."
A MELHOR resposta!! È tipo isso mesmo!!
Na atual faculdade, tenho algumas aulas que falam muito de história. Adoro. Mesmo! Porque dessa vez só falamos das partes realmente interessantes, e me sinto voltando à algo que não queria abandonar completamente, saca?! Fora que os mini-marx'ses' não mais me perseguem! Ufa..
E, vai... Três anos nem é tanto tempo assim para descobrir um hobbie, é?!?!
Só para constar: "Adeus, Lênin" é um excelente filme! Fala de uma maneira divertidíssima do fim da RDA (quando meus coleguinhas ifcsianos vieram para o Brasil, aparentemente), o os efeitos daquele lado do muro. Fica a dica! ;)
Assinar:
Postar comentários (Atom)

3 comentários:
Aaaah, acho que todo mundo merece um tempo pra reflexão. Eu trilhei um caminho contrário. Por falta de timming larguei e moda e fui pra jornalismo, que será um bonito hobby quando eu voltar pra moda no ano que vem. Belo, não?
E o melhor são as histórias pra contar!
E sabe que eu acho que alguns dos seus amigos devem ter ido pra facha?
Tem uns militantes suspeitos por lá! hahahah
Atualiza aê!
vim espanar o pó!
Postar um comentário